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A lambula invadiu as cozinhas angolanas. A culpa é da crise, mas há benefícios

09/11/2016 | Fonte: www.sapo.ao| Vita Monteiro

Instalada a crise no país, o preço de quase todos os alimentos subiu, até mesmo do peixe.

Em Luanda, uma cidade marítima e desde sempre com peixe em abundância, havia muito por onde escolher, entre tamanhos e espécies. A sardinha ou lambula, como é conhecida na gíria, acabava posta de lado por ser um peixe com muitas espinhas, o que traz alguma dificuldade na hora de degustar.

Chegada a crise, com os preços do carapau, da corvina, da espada, do cachucho e do cacusso a subir em flecha, apenas a lambula manteve o preço e foi entrando na ementa dos luandenses.

Hoje, não há grelhador em zona periférica ou central da cidade que não a tenha e os problemas com as incómodas espinhas foram rapidamente esquecidos. Os luandenses voltaram a apreciar a sardinha como em tempos passados, com ou sem acompanhamento.

Mas façamos contas. Enquanto uma corvina media é vendida a 2000 kz ou quatro carapaus de tamanho médio a 2500 Kz, podemos comprar oito lambulas por 500 kz ou até menos, quanto há muita oferta.

Em alguns países, como Portugal, a sardinha é considerada uma iguaria, sendo um produto gastronómico muito apreciado pelo seu sabor e pelas propriedades nutricionais.

Rica em proteína e ómega-3, a sardinha é também uma importante fonte de cálcio, selénio, fósforo e vitamina D. Este peixe, para além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e de Alzheimer, ajuda a combater sintomas de depressão e existem estudos que associam o consumo de peixes gordos, como a sardinha, à redução de doenças como a artrite.

Estes benefícios levaram a Associação Americana do Coração (American Heart Association) a recomendar a ingestão deste tipo de alimento, pelo menos, duas vezes por semana.

Em Luanda, no contexto actual, a lambula parece estar a tornar-se um produto valorizado em tempos de escassez. Por isso, da próxima vez que ouvir “É lambuleee! É lambuleee” lembre-se dos benefícios e pense duas vezes.

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