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Arte Cokwe

A Dimensão Artístico-Cultural do Povo Cokwe

06/01/2011 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Janeiro/Fevereiro 2011)

“Arte na Sociedade Cokwe e nas Comunidades Circun -vizinhas” foi o tema de uma Conferência Internacional que reuniu investigadores nacionais e estrangeiros em Luanda, nos dias 9 e 10 de Novembro passado, relembrando ou dando a conhecer a dimensão artístico-cultural deste povo e o seu
impacto no contexto nacional e internacional.

Sob os auspícios da Fundação ESCOM e apoio do Ministério da Cultura angolano, as comemorações dos 35 anos de independência de Angola constituíram razão para um evento de cariz plural, que homenageou Marie Louise Bastian, antropóloga belga falecida em 2000, que se dedicou ao estudo da região das Lundas e à criatividade do povo Cokwe – autor de alguns dos objectos e símbolos mais apreciados e significativos da Arte Africana.

Em homenagem à investigadora, foi feita no primeiro dia da conferência o lançamento dos dois volumes da versão portuguesa da obra “Arte Decorativa Cokwe”, resultante da sua pesquisa feita, em 1956, no Museu do Dundo. O original, publicado em francês em 1961, encontra-se há muito tempo esgotado.

“A tradução, revisão científica e linguística demorou três anos, dado o rigor exigido por este trabalho desenvolvido pelo Museu do Dundo, em parceria com o Museu Antropológico da Universidade de Coimbra, em Portugal”, reza a nota da instituição organizadora.

O Patrono da Fundação ESCOM, Helder Bataglia, enfatizou a importância da arte Cokwe, fruto das suas crenças e tradições, recordando na ocasião os “símbolos de poderes e de riqueza de tempos que desapareceram, mas que permanecem na memória colectiva do povo Cokwe, como património vivo de Angola”.

Os especialistas incidiram as suas reflexões na importância da Arte Cokwe no panorama cultural e artístico de Angola, desde a sua génese até aos tempos modernos; a arte e etnografia Cokwe antes e depois das investigações de Marie Louise Bastian; o panorama das colecções angolanas nos museus estrangeiros, em especial nos suíços; trajectória histórica e artística dos povos de origem Lunda, cuja produção artística, embora proeminente nas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul, Moxico e Kuando Kubango, marca toda a cultura nacional, de que o Kuku, vulgarmente designado por Pensador, é o exemplo mais emblemático.

Entretanto, o pesquisador português Manuel Laranjeira alertou para a existência de uma “pseudo arte Cokwe”, em que peças não provenientes de Angola, nem necessariamente feita por africanos, estão à venda na Europa e nos Estados Unidos, numa comercialização que se tem revelado próspera.
As alocuções dos investigadores resultaram em várias recomendações, que apontam para a importância da continuidade da cooperação entre o Ministério da Cultura de Angola e a Fundação ESCOM, tendo em vista um maior apoio às iniciativas de inventariação das colecções de origem angolana, existentes nas instituições públicas e privadas no estrangeiro.

Defendeu-se também uma maior cooperação científica entre os museus estrangeiros detentores de colecções de Arte Cokwe e os congéneres angolanos, para que a organização de exposições em Angola destes acervos que se encontram no exterior possa ser efectuada com regularidade. O apoio a
projectos de investigação, conduzidos quer por estudantes, quer por especialistas das Ciências Sociais e Humanas, assim como debates sobre assuntos culturais também constam das recomendações.

Considerou-se também premente o apoio das instituições públicas e privadas à publicação de obras de investigação sobre as danças nacionais, para se evitar a distorção que se verifica actualmente na área, numa conferência que contou também com a participação de especialistas e académicos de outras esferas, políticos, estudantes, artistas plásticos e das artes performativas

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