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Arte em Ebulição

15/09/2014 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Setembro/Outubro 2014)

A arte tem registado imensa atividade por todo o país, com espaços destinados à sua valorização, como foi o caso da atribuição do Prémio ENSA-arte 2014 em pintura e escultura, do qual a Austral ilustra a capa da presente edição com uma obra concorrente.

E o principal prémio de pintura foi concedido à artista Fineza Teta, com a obra "Inquietação". Na mesma categoria, o segundo prémio foi para Maiomona Vua, com o trabalho "Atenção à Educação Cultural".

O júri não atribuiu o primeiro prémio de escultura, por não ter encontrado obras à altura, mas concedeu o segundo prémio a Sozinho Lopes, com a obra "Assim Fazemos Cultura".

Tendo em conta que o prémio também abrange os jovens criadores, o troféu destinado à pintura foi concedido a Meso Mumpasi, enquanto que o de escultura recaiu em Amândio Vemba.

A nível das participações provinciais, o prémio de escultura coube a Estêvão Kiony, de Cabinda, e o de pintura a André Malenga, da Huíla. Receberam Menção Honrosa os participantes Ângelo de Carvalho, Miguel Gonçalves, Pacheco Dito, Cristiano Mangovo e Hildebrando de Melo.

O principal prémio equivale a 1 milhão e 500 mil Kwanzas, o segundo 500 mil Kwanzas, os participantes provinciais e os jovens recebem 300 mil Kwanzas cada um.

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

Também no quadro das iniciativas a nível das artes, ganhou forma a terceira edição da "Residência Artística", denominada JAANGO (Jovens Artistas Angolanos), de 30 de Junho a 15 de Julho na sede da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).

A Residência reuniu os artistas plásticos Van, Ihosvanny, Uolofe Gryote, Samuel Quitadi, Manuela Sambo, Lino Damião, Rui Lavrador, Miguel Gonçalves e Renato Fialho, que criaram obras no local, num total de dezoito, muito esbatidas na utilização de materiais descartáveis/recicláveis, e as apresentaram em exposição coletiva.

O JAANGO surgiu em analogia ao símbolo nacional angolano "Jango" ­ um espaço aberto, coberto, onde as pessoas se reúnem para trocar ideias.

A VEZ DOS CONSAGRADOS

Entretanto, 14 obras de pintura e 12 de escultura do artista António Tomás Ana (Etona) foram atração na exposição "Present Art", que teve lugar em Junho no Centro Cultural Português, em Luanda.

A mostra pretendeu exprimir "uma leitura paradigmática da sociedade angolana, com foco em Luanda, e chamar a atenção para problemáticas como a saúde e a educação, exaltando o papel da família e a importância da mãe na estruturação da sociedade". Etona, atual secretário-geral da UNAP, já participou em inúmeras exposições individuais e coletivas em Angola, Portugal, Cuba, Brasil, Alemanha, Japão, Grã-Bretanha, Venezuela, Estados Unidos e China.

FOTOGRAFIAS TIPO PASSE

No ramo da Fotografia, Edson Chagas apresentou em Julho a sua exposição de 14 fotografias "Tipo Passe", também no Centro Cultural Português.
A mostra fez "uma reflexão em torno da identidade e cânones de beleza, partindo de uma mostra de máscaras bantu".

O artista deu vida às máscaras, identificou-as com um nome, como num bilhete de identidade, e apresentou-as em fotografias "Tipo Passe". Edson Chagas tem desenvolvido trabalhos artísticos fora dos padrões de fotojornalismo, contando já com exposições em Angola, Brasil, Portugal, Alemanha, Camarões, Etiópia e Grã-Bretanha.

Formou-se em fotojornalismo na Grã-Bretanha e, em Portugal, cursou em fotografia nas áreas de publicidade e fotojornalismo.

AFIRMAÇÃO AFRICANA

Por seu lado, a artista plástica Daniela Ribeiro mostrou a colecção "Nossa Cultura", no Memorial Agostinho Neto, em Luanda.
Tratou-se de uma coleção feita de tecidos africanos, peças de telemóveis e símbolos. Ela explicou que "os tecidos africanos representam a tradição e os telemóveis mostram a transição e a absorção do mundo ocidental.

Os símbolos representam Angola como um país sem complexo racial, para que não se perca a especificidade cultural num mundo tão global como o que temos hoje".

A coleção é feita através da montagem de peças de telemóvel em quadros decorados com panos africanos, a maior parte deles angolanos, servindo de "alerta para que se valorize mais a nossa cultura".

Artista eclética, Daniela Ribeiro saiu da terra em 1992 para estudar e regressou dez anos depois, "por sentir necessidade de voltar às suas raízes". Formou-se em design, imagem e criação por computador, frequentou um curso de pintura em Portugal e já realizou várias exposições em Luanda, Lisboa e em outras cidades europeias.

BENVINDA ARTE

Também o criador angolano Paulo Benvindo se associou à onda artística que cobre o país, realizando a exposição de artes plásticas "10 Igualdade-Reflexão", no mês de Julho, na Galeria Tamar Golan, da Fundação Arte e Cultura, em Luanda.

Paulo Benvindo, autodidata desde os 14 anos, ostenta uma criatividade esbatida em vários estilos, com base nas suas reflexões sobre o quotidiano.
Na exposição "10 Igualdade-Reflexão", o artista apresentou pinturas sobretudo com recurso a cores quentes (do continente africano), as que mais predominam nas suas telas. Cores quentes também estiveram em destaque na província da Lunda-Sul, mais precisamente na sua capital, Saurimo, onde teve lugar a exposição "Blue Arte", com 20 obras de cinco pintores angolanos retratando a cultura de Angola.

Sob realização da marca de refrigerantes "Blue", as obras de Álvaro Macieira, Don Sebas Cassule, Paulo Kussy, Guilherme Mampuya e Benjamin Sabby estiveram em exibição em Saurimo no quadro de um percurso itinerante por todas as províncias do país.

Quem fez a primeira aparição no círculo das artes plásticas foi Guilherme Zeferino (Guizef), com a realização em Junho da exposição "Feed Back" na Galeria Celamar. Guizef explicou que, com os seus vinte quadros expostos, pretendeu "explorar a riqueza cultural africana", sobretudo o rito e a sensualidade da mulher do continente.

Ele acredita que "a arte africana torna-se mais colorida e interessante, quando focada na importância do papel feminino nas sociedades". Como fruto da sua primeira aparição, a crítica passou a considerá-lo como "um novo talento tradicional-moderno das artes plásticas angolanas".

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