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Bengo, Terra de Monarcas e Príncipes

28/06/2012 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Maio/Junho2012)

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Bengo, Terra de Monarcas e Príncipes1 de 14

O Príncipe dos Dembos, António Salvador, que preenche a capa desta revista, representa a mais alta hierarquia da autoridade tradicional naquela parcela da província angolana do Bengo.

O Príncipe reside em Quibaxe, município dos Dembos, território que pertenceu ao antigo Reino do Congo e que ainda conserva alguns dos seus princípios.

No passado, o Príncipe já foi representante do Rei do Congo, soberano que então residia na capital do Reino – Mbanza Congo, actual capital da província angolana do Zaire. Em respeito à antiga tradição, o Príncipe usa um bastão e um barrete (a chamada ‘Kiginga’) na cabeça, como símbolos do poder tradicional.

A província do Bengo existe administrativamente há 32 anos, pois foi constituída a 26 de Abril de 1980 com a partilha da província de Luanda. Com capital em Caxito, a 56 quilómetros da cidade de Luanda, possui uma população estimada em 500 mil habitantes, distribuídos por seis municípios (Dande, Ambriz, Bula Atumba, Dembos, Nambuangongo e Pango-Aluquém).

Cerca de 70 por cento da população do Bengo dedica-se à agricultura, nos cerca de 1 milhão de hectares de terras aráveis, cultivando sobretudo mandioca, milho, batatadoce, feijão, banana, amendoim (ginguba), entre outros hortícolas e frutícolas. Nas terras da província existem ainda riquezas minerais (por explorar), como urânio, quartzo, gesso, dolomite, calcário, argila e sal mineral.

Viaja-se de Luanda para o Bengo por estrada asfaltada, cruzando pela vila de Cacuaco e apreciando o verde da paisagem até Kifangondo, onde a ponte sobre o rio Bengo constitui o ponto de entrada para o primeiro município da província, o Dande, onde está implantada a capital provincial – Caxito. A caminho de toda a região norte de Angola, Caxito apresenta campos agrícolas por todo o lado dominados por bananais, cujo fruto mereceu recentemente uma “feira da banana”.

Na descoberta da província do Bengo, segue-se a comuna da Barra do Dande, à beira-mar plantada mas também banhada pelo rio Dande – local turístico apetrechado de alguns resorts, onde se pode repousar enquanto se digere peixe fresco, acabado de desembarcar das pequenas embarcações dos pescadores da comunidade que se entrega diariamente a essa faina.

Ambriz é o próximo município, depois de mais alguns quilómetros de estrada e da travessia da ponte sobre o rio Lifune. Ambriz é maioritariamente habitado por descendentes do antigo Reino do Congo, provenientes sobretudo de Mbanza Congo (província do Zaire), onde também se pode desfrutar de boa alimentação confeccionada à base de peixe e marisco, pescados de fresco nas suas ricas águas.

Em matéria de atracção para as máquinas de fotografar e filmar, os antigos edifícios do Presídio e da Alfândega, ambos datados de 1856, constituem os principais enfoques. De volta a Caxito, a estrada encaminha o visitante para a localidade de Sassa Povoação, em direcção a Úcua, onde a estrada se multiplica em vários destinos, entre os quais a sede do município de Pango-Aluquém.

Situado no cimo de enorme montanha, com uma única comuna (Cazuangongo) por entre intensa floresta que está perdendo a virgindade pela penetração de uma estrada, Pango-Aluquém já foi terra onde o café floresceu bastante e deu riqueza no passado colonial, integrada no chamado “Triangulo dos Dembos” (Pango-Aluquém, Bula Atumba e Quibaxe).

Foi com recurso à riqueza do café que na altura da dominação colonial portuguesa se construiu, por exemplo, a vila de Bula Atumba, que se preencheu de roças do produto, cuja produção abalada pelos efeitos da guerra, ainda vai dando alguns frutos que permitem a ingestão de uma xícara. E, depois de certificada a qualidade do café de Bula Atumba, as rodas giram em direcção a Quibaxe, a já referida terra do Príncipe dos Dembos, António Salvador, que corporiza a mais alta hierarquia da autoridade tradicional da área. As terras do município dos Dembos, que como se disse atrás já pertenceram ao Reino do Congo, fazem o casamento de cidadãos dos povos Kimbundo, Kicongo e Luango.

Entretanto, só restava visitar o sexto e último município da província do Bengo – Nambuangongo, com sede na vila de Muxaluando e que também alberga a comuna de Canacassala, considerada ‘histórica’ tendo em conta o papel que desempenhou no processo de resistência à ocupação colonial portuguesa. Aliás, a resistência à colonização foi sempre a reacção do povo do território da actual província do Bengo, através de revoltas e de outras formas de luta.

E, falando em luta contra a ocupação, reza a História que os irmãos Nambuangongo e Cazuangongo (nomes coincidentes com um município e uma comuna do Bengo) pediram autorização ao Rei NGola Kiluanji para se retirarem de Luanda, após Portugal ter reconquistado a cidade, no século XVII, que até então estivera na posse dos holandeses. O Rei autorizou a saída, os dois irmãos seguiram para diferentes regiões de selva cerrada, por entre montanhas inexpugnáveis, e por lá ficaram resistindo à ocupação colonial portuguesa.

No final da visita à província do Bengo, fica-se com a percepção de que se pode usufruir de um espectáculo paisagístico proporcionado pela sua rica flora e fauna (macacos, elefantes, javalis e pacaças), belas praias como as de Cabo Ledo, Pambala e Ambriz, apreciar a beleza da Barra do Dande, das lagoas de Ibendoá, Cabiri e Ulua do Sungui com as suas exóticas aves aquáticas. Além do recurso rodoviário por estrada asfaltada, a via marítima, através do Porto do Ambriz e da Barra do Dande, constitui outra forma de acesso à província do Bengo.

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