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Feira de Artesanato do Dondo

10/11/2013 | Fonte: Austral, Revista de Bordo da TAAG (Novembro/Dezembro 2013)

© Revista Austral

A quarta edição da Feira de Artesanato do Dondo, que teve lugar de 30 de Agosto a 1 de Setembro deste ano sob o lema “Memória e História”, serviu de viagem de regresso ao passado e permitiu revisitar lugares e figuras célebres do século XVII das localidades do Dondo, Massangano, Kambambe e Ilhas do Kwanza. Foi em 1725 que se e realizou a primeira feira do Dondo, com a participação de comerciantes organizados em caravanas, oriundos das regiões das Lundas Norte e Sul, Malanje e da Quibala (Kwanza Sul).

Segundo o Ministério da Cultura, “cada edição da Feira do Dondo é um acto de recuperação, lembrança e rescrição da História do Corredor do Kwanza, um local onde o povo, vindo de diversas regiões, se reunia para comercializar os seus produtos”. A Feira realiza-se nesse local, que viria a ser absorvido e utilizado pelos portugueses como rota fluvial para transportação de produtos de Angola para o continente europeu.

O certame visa, entre outros objectivos, sensibilizar as populações do Dondo, em particular, sobre a necessidade urgente da identificação, resgate e salvaguarda dos saberes, práticas e artes patrimoniais do povo angolano. É ainda intenção da organização despertar para a importância do potencial económico e turístico da Feira do Dondo nos planos de desenvolvimento da província do Kwanza Norte.

O Corredor do Kwanza congrega vários edifícios históricos coloniais, entre os quais as ruínas da antiga Câmara Municipal, o Tribunal, a Casa de Reclusão, a Fortaleza, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o túmulo do capitão português Paulo Dias de Novais, a antiga Praça dos Escravos, todos erguidos no século XVI e localizados na região de Massangano, que foi capital provisória da província ultramarina de Angola, durante a ocupação militar de Luanda pelos holandeses.

Postada à beira do rio Kwanza, a Feira teve como principal referência desta edição a classificação a Património Nacional das zonas históricas de Kambambe e do Dondo. Acolheu milhares de visitantes e 320 expositores, entre escultores artesanais, cesteiros, oleiros, ferreiros, escritores e editoras, que se juntaram a conferências e palestras sobre o Corredor do Kwanza, uma exposição documental “Dondo:
História e Memória”, espectáculos de música, gastronomia local, regatas desportivas e de canoagem, venda de discos e produtos do campo.

No âmbito da Feira foram também efectuadas visitas guiadas aos locais históricos dessa área geográfica, que pertenceu ao antigo Reino do Ndongo e da Matamba, que teve como soberana a célebre Njinga a Mbande, numa altura em que decorrem os preparativos para a celebração este ano do 350º aniversário da sua morte, constituindo este evento o início das comemorações, a efectivar-se nos meses de Novembro/Dezembro.

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