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Feiras

A fotografia da economia angolana

11/01/2013 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Janeiro/Fevereiro 2013)

Fotos: Arquivo Edicenter

É uma designação que serve para definir os locais onde se juntam diversas pessoas, diversos estilos e diversos objectivos. As feiras de negócios – o nosso foco, desta vez – são um instrumento económico. De prosperidade. E de novos horizontes, pois as novas tendências vão no sentido das parcerias de médio-longo prazo, rompendo com o comércio de ocasião. Investimento directo estrangeiro e parcerias com transferência de conhecimentos aos nacionais são palavras-chave.

As feiras de negócios são um bom indicador acerca do momento da região, do país ou da zona onde são realizadas. Regra geral, quanto mais actividade económica existir, mais feiras se realizam. É uma equação simples. E de fácil resolução. Angola não foge a este cenário. À medida que os anos de guerra, de instabilidade (social e económica) e de falta de futuro vão ficando cada vez mais distantes, mais feiras de negócios vão sendo realizadas. Um processo natural de evolução.

É verdade que, ainda hoje, as maiores feiras de negócios que se realizam no país estão na zona de Luanda. Mais uma vez é um sinal dos tempos – e da actividade económica. Se em Luanda estão os principais agentes, sejam ligados à actividade do Estado, mas também à iniciativa privada, é então em Luanda onde se realizam os principais eventos de negócios.

Por outro lado, actualmente é interessante olhar um pouco para o perfil dos participantes nestes encontros. A ideia de uma feira de negócios é simples: juntar no mesmo lugar o máximo de iniciativas diferentes, de vontades diferentes, com as pessoas ao longo dos dias a trocar naturalmente contactos, informações, tentando encontrar novos horizontes para as suas empresas. As novas tendências, no entanto, vão mais no sentido de se efectivarem parcerias de médio-longo prazo. A ideia do “comércio de contentor”, da exportação pura-e-dura de bens, começa a perder terreno.

As feiras de negócios, em Angola, também têm feito este trajecto. Se, uns anos atrás, os participantes vinham com a ideia de encontrar interlocutores no sentido de receberem e comercializarem os seus produtos, hoje nota-se um forte impacto de Angola junto de potenciais investidores. De empresas e agentes económicos angolanos e vindos de outras latitudes, que se querem efectivamente instalar no país.

É importante ter em atenção estes factos, que estão de alguma forma ligados à história e ao momento do contexto onde os investidores (angolanos ou não) se pretendem inserir. Angola, mesmo ao nível do discurso oficial, tem enfatizado esta questão. Investimento Directo Estrangeiro – IDE. Palavra-chave. Parcerias com vantagens de transferência de conhecimentos aos nacionais. Outra palavra-chave.

FAZER MAIS NO MESMO ESPAÇO

Em Luanda, o salão de feiras de negócios é a Feira Internacional de Luanda – FIL. É o símbolo desta actividade. É uma marca que quase todos os angolanos conhecem. A FIL é uma sucedânea da FILDA – um acrónimo que todos os angolanos reconhecem. Na capital podemos tirar, sem grandes riscos, a palavra “quase”. Todos os habitantes de Luanda conhecem a FILDA.

A Feira Internacional de Luanda (FILDA), que significa o mesmo apesar da alteração recente de que foi alvo (em 2007 passou a ser uma empresa privada de capitais públicos, depois da marca ter pertencido à Associação Industrial Angolana –AIA), é um ponto de referência na história económica do país.
São já 29 edições. Quando começou a ser realizada, era praticamente o único encontro com um forte cariz de negócio, virado para a realização de novas parcerias e para a presença de investidores estrangeiros.

Foram eventos que marcaram uma geração. E que marcaram também uma fase do país – onde a guerra e as dificuldades de circulação entre as províncias limitava o desenvolvimento económico. As primeiras FILDA foram também um sinal de abertura económica, depois de um período de economia dirigida e centralizada pelo Estado.

Hoje, a FIL continua a realizar-se no mesmo espaço. Outrora situada numa zona periférica, as instalações da FIL foram literalmente engolidas pela expansão desordenada da cidade. Situado no famoso bairro do Cazenga, durante muito tempo classificado como “o mais populoso do país”, o maior parque de feiras de Angola estende-se por cerca de 30 hectares. E cinco pavilhões.

Apesar de a área de exposição ser mais ou menos a mesma desde que se construiu aquele empreendimento (ainda no tempo colonial, antes da independência em 1975), é um facto que hoje em dia se faz mais, com o mesmo espaço. Em 2011, por exemplo, foram efectivadas 11 feiras de diferentes sectores – Ambiente Angola (Maio), Mostra dos Jovens Criadores da CPLP (Junho), Salão Exportar Angola (Junho), Salão Imobiliário e Salão de Mobiliário e Decoração de Angola (Junho), Feira da Mulher Angolana (Setembro), FIMA- Feira Internacional de Minas (Outubro), Fashion Business Angola (Outubro), Angola Educa (Novembro) e Expotrans (Novembro).

Durante o ano de 2012, que terminou recentemente, a FIL realizou em Luanda os seguintes eventos: Expo TIC's e Expo PSTA 2012 – Feira de Produtos Tecnológicos da Argentina (Maio), Ambiente Angola (Maio-Junho), Expo Lwini (Junho-Julho), FIMA – Feira Internacional de Minas (Outubro), Constrói Angola (Outubro), Bolsa Internacional de Turismo (Outubro), Expotrans e Motor Show (Novembro).

Não foi contabilizada a FILDA, que se realiza sempre no final do mês de Julho, porque é um mundo à parte. De cariz multisectorial. Não há dúvida que é o maior evento de negócios que se realiza em Angola. O país convidado, no ano passado, foi a África do Sul, uma vez que nas edições anteriores os países convidados tinham sido de outros continentes. Em 2012, a organização quis dar destaque a um país africano. Por outro lado, o tema do certame foi mais virado para o desenvolvimento sustentável da África sub-saariana. Em 2011, por exemplo, o Brasil tinha sido o “país convidado” -uma espécie de destaque anual que a organização dá aos mais importantes pavilhões institucionais

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