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Raid TT Kwanza Sul

Sempre na picada!

16/11/2012 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Novembro/Dezembro 2012)

Fotos

Fotos: Arquivo Raid TT Kwanza Sul | O raid já percorreu mais de 25 mil kms nas suas edições

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Com a ida ao Kuando-Kubango e ao Cunene, em Junho deste ano, o Raid TT Kwanza Sul completou a visita aos “quatros cantos” do país e às 18 províncias angolanas. Tratou-se do VI Raid, imemorável e emocionante como os anteriores. Para recordar, o regresso dos elefantes a Angola, as enormes
potencialidades turísticas e económicas do Projeto Okavango-Zambeze, o lindo rio Kuando, que depois passa a Linianti e, mais tarde ainda, a Chobe, antes de se juntar ao Zambeze. Para recordar ainda, a beleza do rio Kubango, que na fronteira com a Namíbia já se chama Kavango e que mais
tarde mergulha nas areias do deserto do Kalahari, num delta interior, onde tem no seu habitat a maior concentração mundial de grandes mamíferos, bem como os vestígios da destruição a que foi sujeita a cidade de Ondjiva, hoje a airosa capital do Cunene.

A grande aventura dos Raid TT (Todo-o-Terreno) do Kwanza Sul começou há 15 anos, pela via de um acordo de geminação entre as cidades de Almada e de Porto Amboim. A geminação deu um “salto qualitativo” para um Acordo-Quadro de Cooperação entre a Província do Kwanza Sul e a cidade de Almada (Portugal) no ano de 1997. Esta “caminhada” conjunta produziu acções de formação, construção e reabilitação de escolas, recolha de bens de primeira necessidade para populações carenciadas, exposições que reforçaram o conhecimento mútuo e promoveram o investimento.

A salientar dois nomes: Serafim do Prado (Governador do Kwanza Sul) e Maria Emília Neto de Sousa (Presidente da Câmara de Almada). É no âmbito deste acordo que, em 2005, germina a ideia da realização de um Raid Todo-o-Terreno que percorresse a Província do Kwanza Sul. Um raid, diferentemente de um rali, é uma prova desportiva não competitiva em veículos todo-o-terreno, que não evita os terrenos mais difíceis na busca de locais históricos e dos mais belos recantos para os tornar conhecidos, praticando uma relação virtuosa entre Desporto, Turismo e Cultura.

O primeiro Raid TT Kwanza Sul, realizado em Outubro de 2005, alcançou um êxito assinalável e ficaram como “memórias para a vida” a Baía de Porto Amboim, as plantações de café nos morros da Gabela e o encontro com o Rei Ekuikui IV. Logo se pensou num segundo raid, que fosse mais longe e a outras Províncias. E, em Maio de 2007, o II Raid foi também ao Kwanza Norte, ao Huambo e ao Bié. Ficaram como momentos de registo, uma trovoada monumental na albufeira da Barragem de Kapanda, a subida da Serra da Cabuta (Calulo) sob uma chuva torrencial, o início da reabilitação da cidade do Kuito, a beleza das Quedas de Kalandula e a majestade das Pedras Negras de Pungo Andongo.

O III Raid (Junho/2008) foi a esse lugar mágico que é a Foz do Cunene, que ficou na lembrança de todos como um lugar a que é absolutamente necessário voltar. E também a rudeza do Iona e a serenidade de um pôr de sol na Lucira… e a dureza da subida do Cimo na strada Dombe Grande /Lucira. O IV Raid (Maio/2009) foi em direcção a Cabinda, tendo-se percorrido boa parte das províncias do Zaire e do Uíge. Uma noite passada nos charcos de lama perto de Quimaria, foi o culminar de uma tarde em que se avançou à ‘prodigiosa’ velocidade de 4km/hora.

Já perto de Luanda, os raidistas deram graças à Senhora da Muxima pelo facto de lhes ter sido possível ver uma Angola tão bela e genuinamente africana. Anteriormente, ao irem para Cabinda, os participantes ficaram positivamente de “boca aberta” com o caudal e a intensidade dessa gigantesca massa de água que é o rio Zaire. Indo para o interior, o V Raid (Junho/2010), foi em direcção às Lundas. Baixa de Cassanje, a bonita cidade de Saurimo, o Museu do Dundo, a visita à Embala do grande sertanejo Silva Porto (Kuito) e as obras do Caminho-de-ferro de Benguela, passaram a integrar a memória dos participantes. De referir a visita ao túmulo do rei N´Gola Kiluanje, numa ilha no rio Kwanza.

Um pequeno balanço mostra as virtualidades de um acordo de cooperação que, com poucos meios, chegou muito longe. Centenas de artigos em jornais e revistas, muitas horas de rádio (principalmente TSF/Portugal, RN Angola e Rádio LAC de Luanda) e dezenas de horas de televisão (em estações de Angola, Portugal, Brasil e de outros países) fizeram desta realização, talvez o maior difusor das belezas naturais, da segurança da circulação nas estradas, da hospitalidade e simpatia do povo, do progresso verificado nos últimos anos em matéria de estradas e hotéis, todas elas condições-base para o progresso do Turismo.

Com reduzidos apoios oficiais, o Raid contou desde o início com a ajuda e colaboração de muitas empresas, onde é de destacar a Nissan, nos cinco primeiros Raids, e agora a Ford (representada em Angola pela Robert Hudson). O Banco Keve patrocinou a edição de quatro livros abordando a “História e estórias” das regiões atravessadas, numa notável colectânea de dezenas de artigos. A UCCLA apoia a organização do Raid nos seus aspectos técnicos, confiados à empresa Ekuipa. A TAAG é, desde sempre, a transportadora oficial desta grande realidade que é o Raid TT Kwanza Sul, que nas suas várias edições percorreu mais de 25.000 km, fazendo ecoar o seu grito de guerra “Raid Kwanza Sul!.. Sempre na picada!...”.
*Secretário-geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e Raidista convicto

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