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A História Valorizada com o Prémio de Cultura e Artes

08/04/2014 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Março/Abril 2014)

© Revista Austral

A Gala de entrega do Prémio Nacional de Cultura e Artes, realizada em Novembro no Cine Tropical, em Luanda, com a homenagem ao Mestre Kamosso, de 85 anos, exímio tocador de hungo, reforçou a valorização da historicidade evidente na escolha dos laureados para a edição de 2013. Com efeito, o regulamento do galardão criado em 2002, que "constitui uma homenagem e incentivo ao génio criador e inventivo dos angolanos", admite também a premiação pelo "conjunto geral (vários trabalhos) da obra ou carreira de um determinado autor ou criador", o que se evidenciou nesta última edição.

A atribuição do prémio na disciplina de Literatura ao escritor Manuel Pedro Pacavira, antigo embaixador de Angola em Roma, foi devido ao conjunto da sua obra, com destaque para o romance histórico "Nzinga Mbandi", coincidindo assim com o ano em que se comemoram os 350 anos desta soberana. O coreógrafo Domingos Nguizani, com o seu trabalho desenvolvido em prol da dança tradicional angolana ao longo de 36 anos, justificou a sua premiação na modalidade de Dança.

Um dos grupos de teatro mais antigos, o Oásis, com um percurso de mais de 24 anos caracterizado pela preocupação pela matriz tradicional, nomeadamente com as peças "A morte do velho Kipakasa", "O drama de Muyala" e "Michornas de Chongoli", venceu na categoria de Teatro. Considerado um dos músicos mais estimados do planalto central, Justino Handanga, natural do município do Bailundo, iniciou a sua carreira em 1987. Venceu na categoria de Música, pelo conjunto da sua obra com profundas marcas da angolanidade.

A docente universitária e investigadora Aurora da Fonseca Ferreira foi vencedora na disciplina de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, com a sua obra "A Kisama em Angola do século XVI ao início do século XX - Autonomia, ocupação e resistência". Após 37 anos de carreira, o escultor José Mununga, do Kuando-Kubango, vencedor na categoria de Artes Plásticas, vê reconhecido os vários anos dedicados às artes plásticas, na maioria das vezes em condições difíceis. Raúl Correia Mendes também venceu na disciplina de Cinema e Audiovisuais pelo conjunto das suas obras, que têm contribuído para o desenvolvimento das artes. Na mesma perspectiva, Mestre Kamosso também foi homenageado pela sua obra e vida dedicada à música, constituindo um dos momentos mais emocionantes desta Gala.

E apesar dos seus 85 anos demonstrou uma grande pujança na execução do seu instrumento monocórdico, agradando a todos com a sua actuação nesta celebração, que contou com a presença do Vice-Presidente da República, Eng.º Manuel Vicente, e da ministra da Cultura, Dr.ª. Rosa Cruz e Silva. Nesta homenagem também foi relevante o diálogo de gerações e de especialidades artísticas. O espectáculo contou também com Lutuima; Tony do Hungo; Ballet Tradicional Kilandukilu; Grupo Kina Umoxi e os cantores Karina Santos e Eddy Tussa. O poeta e jornalista José Luís Mendonça declamou dois temas inéditos e o canto lírico esteve presente com o Quarteto Lírico, constituído por licenciados pelo Instituto Superior de Arte de Cuba.

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