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Hereros

Um grupo étnico que vale a pena conhecer

26/07/2011 | Fonte: Por Akanda

Foto: Sérgio Guerra, In "Hereros"

Os Hereros são de origem ancestral e existem há milhares de anos, são pastores polígamos e semi-nómadas e é da criação de gado que vem o seu sustento.

Calcula-se que tenham chegado a esta região por volta do século XII e XV, vindos do Norte de África.

Mukubais, Muhimbas, Muhacaonas, Munhimbas e Muchavicuas, são considerados subgrupos dos Hereros localizados em Angola. Eles honram os seus antepassados e guardam com afinco a própria cultura. Entre os seus principais ritos, estão a prática da circuncisão e a extração dos dentes incisivos ainda na infância.

Cultivam a solidariedade e a colectividade, dividem o alimento e praticam a justiça através de um sistema de multas, sendo que a economia familiar gira em torno do seu maior bem: o gado.

Hoje, os Hereros totalizam mais de 240 mil pessoas e estão divididos em três países: Angola, Namíbia e Botswana.

Na Namíbia, viveram tragicamente o primeiro grande genocídio do século XX. Estima-se que mais de 65 mil tenham morrido, perseguidos pelas tropas do general alemão Lothar Von Trotha, em 1904.

O parto entre os Hereros é feito de cócoras e assistido por duas mulheres, uma recebe o bebé, enquanto a outra dá suporte, por trás do corpo da parturiente. O cordão umbilical é cortado com canivete, e tanto ele como a placenta, são enterrados no chão da cubata onde foi feito o parto. O bebé, untado e massageado com óleo, tem ali o seu primeiro contacto com a terra e com as  fezes secas de boi.

Depois de consultar os antepassados, os homens marcam com cinza a testa dos meninos, retiram os seus adornos e os levam para fora da aldeia. O corte é feito com o uso de um canivete, estando a criança sentada numas pedras conhecidas como Coluo, sob as quais enterram a pele retirada na circuncisão. As crianças permanecem na mata com as suas mães até que as feridas sejam cicatrizadas.

Por tradição homens e mulheres Hereros não fazem uso de água na sua higiene corporal. Em geral é feito com pirão e óleo extraído da manteiga, que são esfregados contra a pele. As Muhimbas fazem uso adicional de um pó vermelho rico em óxido de ferro e têm, ainda, o hábito de higienizar a região da vagina com o fumo produzido com a queima de cascas de uma árvore.

O pedido de casamento é sempre uma iniciativa da parte masculina e pode, muitas vezes, ocorrer ainda na infância. É comum ver homens adultos ter crianças como noivas, mas a união entre os dois só deverá ocorrer depois que ela atinja a idade adulta. No entanto desde o momento em que se celebra o casamento, o homem passa a ter obrigações formais para com a sua esposa.

O luto entre os Hereros é marcado, em geral, pela retirada de adereços e tranças. Nos rituais de óbito, um boi que normalmente foi escolhido em vida pelo falecido é sacrificado com golpes de catana. A carne deste animal está interditada para a alimentação. A única parte que interessa é a cabeça que, futuramente, irá adornar o túmulo, como pode ser visto na maior parte dos cemitérios Hereros.

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