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Literatura Angolana Enriquecida com Novas Obras

11/04/2014 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Março/Abril 2014)

© Revista Austral

Uma série de livros vieram enriquecer a literatura angolana em finais do ano passado e início do ano corrente, saídos da pena de diversos autores e sob diversificadas propostas temáticas.

A cinematografia foi uma das propostas privilegiadas que, através do realizador Jorge António e da investigadora Maria do Carmo, viu surgir uma trilogia sobre esta arte, cujo primeiro volume, intitulado "O Cinema do Império", reflecte o que foi feito no período colonial - época em que "o cinema não pode ser considerado verdadeiramente angolano". Segundo Jorge António, o autêntico cinema angolano já vem espelhado nos segundo e terceiro volumes, respectivamente "Cinema da Libertação" e "Cinema da Independência", que resultam de entrevistas "aos que fizeram a história do cinema angolano".

O cineasta Jorge António tem assinaturas na primeira co-produção luso-angolana "O Miradouro da Lua", na curta-metragem "O Funeral", Melhor Obra no Festival Internacional de Cinema do Algarve em 1992, mas também em várias outras obras de ficção e documentários.

Maria do Carmo é doutorada em Ciências da Comunicação e faz pesquisas sobre cinema de propaganda e cinema colonial. Enquanto isso, o consagrado escritor Manuel Rui Monteiro lançou o romance "A Trança", apresentado pela professora Amélia Mingas, decana da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, segundo a qual o livro reflecte "transcendentalismo" sob a forma de abordagem da vida de uma jovem de origem angolana e alemã, que devido ao contacto com o avô angolano procura descobrir o que de africano nela existe.

Na opinião do autor, o livro advém de "profundas observações em torno de vários aspectos sociais, sobretudo relacionados com o quotidiano angolano". Manuel Rui Monteiro licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, exerce advocacia, é ensaísta, cronista, dramaturgo, poeta, autor do Hino Nacional de Angola.

Já foi galardoado com inúmeras distinções, entre as quais o Prémio Caminho das Estrelas, em 1980, pela emblemática obra "Quem Me Dera Ser Onda", já adaptada para televisão e teatro em Moçambique, Portugal e Angola, e agora publicada em Braille. Os seus textos estão traduzidos para língua nacional umbundo, espanhol, francês, hebraico e mandarim. Por seu lado, o veterano do teatro José Mena Abrantes pôs nas bancas "Caminhos Des-encantados", livro que consiste em 33 estórias ilustrativas do "sofrimento, a forma como a guerra destruía as pessoas".

Na opinião do apresentador da obra, o jornalista e escritor Filipe Correia de Sá, Mena Abrantes conta as estórias "numa prosa poética a raiar o realismo fantástico, onde o autor joga e brinca com os sentidos das palavras, libertando-as, para retratar tempos marcados pela violência de guerra". Jornalista, escritor, dramaturgo, produtor e encenador de teatro, José Mena Abrantes licenciou-se em Filologia Germânica em Lisboa.

Já publicou 18 peças de teatro, três obras de ficção e três de poesia, vários estudos sobre cinema e teatro. Além de vários prémios a nível nacional e internacional, foi recentemente homenageado no Festival de Teatro de Língua Portuguesa, no Rio de Janeiro. "A Lagoa Misteriosa" é o título infantil apresentado pela escritora Maria Celestina Fernandes, cujo personagem principal "é um jovem príncipe, curioso e destemido que pretende mergulhar numa lagoa para desvendar os seus mistérios".

A autora explica melhor: "é um conto infantil (com ilustrações de Aurélio de Sousa) que retrata a história de um príncipe, que tenta desvendar o segredo de um misterioso lago para salvar a vida da sua aldeia". Segundo Maria Celestina Fernandes, a história (transportada para a realidade angolana) foi idealizada quando de uma visita ao Reino do Marrocos, onde teve contacto com "testemunhas de um lago misterioso" na cidade de Marraquexe. Maria Celestina Fernandes tem também publicadas as obra infantis "A borboleta Côr de Ouro", "A Árvore dos Gingongos", "As Amigas em Kalandula", "A Rainha Tartaruga", "Os Dois Amigos", "A Estrela Que Sorri", "A Maxiluanda" e "Os Panos Brancos". Já no mês de Fevereiro do ano corrente foi lançado o livro "Boletim Cultura e a Sociedade Cultural de Angola", com recolha e pesquisa de Irene Guerra Marques e Carlos Ferreira.

No prefácio do livro, o escritor Henrique Guerra sublinha que se trata de "uma reedição do Boletim Cultura, da antiga Sociedade Cultural de Angola", do qual ele fez parte, ao lado de Luandino Vieira, Eugénio Ferreira, Arnaldo Santos, Antero de Abreu, entre outros ainda vivos e já falecidos. Henrique Guerra diz que a Sociedade Cultural de Angola foi criada em 1942, tendo sido publicados 12 números do boletim até 1960, altura em que foi proibido e encerrado pelas autoridades portuguesas. Por seu lado, a Sociedade Cultural de Angola foi extinta em 1965, pelo então Governador-Geral. A obra constitui assim a reedição dos 12 números do boletim, em 210 páginas com uma tiragem de 3.200 exemplares.

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