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Rainha Njinga Mbande e os 350 anos da sua Morte

10/04/2014 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Março/Abril 2014)

© Revista Austral

A celebração dos 350 anos da morte de Njinga a Mbande, ocorrida a 17 de Dezembro de 1663, foi ensejo para um conjunto de importantes realizações a nível nacional e internacional. Objecto de vários estudos e publicações, a lendária soberana angolana foi recordado na 4ªa edição da Feira do Artesanato do Dondo, cujo lema foi "Memória e História".

No âmbito da Feira, também foram efectuadas visitas guiadas aos locais históricos dessa área geográfica, que pertenceu ao antigo reino do Ndongo e da Matamba, que teve como soberana Njinga a Mbande. Os feitos corajosos e argutos da soberana são ideais que continuam a inspirar muitas pessoas no mundo inteiro e um resumo deles foi apresentado num projecto cinematográfico, produzido pela Semba Comunicação. No próprio dia do seu passamento, a 17 de Dezembro, foi exibido um musical com o título "Nzinga Mbandi Semente do Tempo", produzido pelo Ministério da Cultura e encenado pelo licenciado angolano José Silveira Teixeira.

No exterior, a capital francesa já havia albergado, por ocasião do 38º aniversário da independência de Angola, uma Mesa Redonda sobre o papel histórico da soberana do Reino do Ndongo. Na altura, a historiadora e diplomata brasileira Annick Thebia Melson considerou-a "uma figura lendária do seu tempo, que com a sua gesta heróica soube preservar a soberania dos povos de Angola e, por isso, tornar-se num símbolo em toda a bacia do Congo". Sublinhou também o facto de ela ser considerada "a primeira diplomata angolana", por ter conduzido, em 1622, uma missão a Luanda a pedido do seu irmão Ngola Mbandi, então soberano do Reino do Ndongo, com o objectivo de negociar com os portugueses.

Segundo o antropólogo angolano Virgílio Coelho, também animador da Mesa Redonda de Paris, a Rainha Njinga a Mbande aprendeu a falar português e professou estrategicamente a religião católica, pela qual se deixou baptizar com o cognome de Ana de Sousa. No entanto, "apesar de ter aceitado a religião católica, Njinga a Mbandi preservou sempre os valores e rituais fundamentais da cultura bantu". É considerada uma heroína não só em Angola, mas em África e na Diáspora Africana. Em Espanha, integrado nas comemorações do 38 aniversário de Angola, realizou-se o Fórum Internacional da Cultura e Arte, que incluiu um colóquio sobre "História de Angola na Época de Felipe II e de Filipe IV", igualmente em homenagem à soberana Njinga a Mbande.

Exposição conjunta com Aimé Césaire

Durante dois dias, em Dezembro de 2013, realizou-se em Luanda o seminário "Njinga a Mbande e Aimé Césaire: Independência e Universalidade". Se a soberana angolana era homenageada pelo 350º aniversário da sua morte, o africanista antilhano era lembrado por ocasião do centenário do seu nascimento, ocorrido a 26 de Dezembro de 1913.

O Ministério da Cultura de Angola e a UNESCO davam as mãos para celebrar duas trajectórias associadas à resistência política, intelectual e cultural, à ética, estética e espiritualidade africanas ­ a rainha angolana no contexto da sua era (1582/1663) e o também poeta, dramaturgo e ensaísta antilhano já no século XX (1913/2008). Integrada na homenagem foi possível ainda visitar uma exposição documental e iconográfica sobre as duas personalidades, que mostrou documentos originais existentes em instituições angolanas e estrangeiras, uma selecção de textos literários, estudos e materiais audiovisuais. A exposição está patente até Março na SIEXPO, em Luanda, e depois poderá ser apreciada em três continentes: África, América e Europa.

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