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Veia Artística em Destaque

12/04/2014 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Março/Abril 2014)

© Revista Austral

Os artistas plásticos angolanos têm mostrado toda a sua veia artística em várias exposições em Angola e outras partes do mundo, na senda da criação de novos mercados, leilões, mais escolas e galerias de arte.

"Desenhos, Pau-a-Pique e Outros Registos" foi o título que Francisco Van-dúnem (Van) atribuiu às três expressões da exposição de 89 obras que apresentou, entre Dezembro e Janeiro últimos, no Centro Cultural Português, em Luanda. A vertente "Desenhos" foi uma retrospectiva de três décadas de trabalho e estudo. Em "Pau-a-Pique", Van valorizou a habitação tradicional, utilizando nas obras materiais como o bordão, ramos e troncos de árvore, capim e barro. "Outros Registos" são trabalhos de pintura ao seu estilo característico, "mas com outras influências, técnicas e conteúdos".

Ele explicou que a exposição serviu para relembrar a sua trajectória a nível do Desenho, uma vez que tem estado mais virado para a pintura e a gravura". Van tem optado por "uma pintura influenciada pelos ideogramas, arte rupestre e signos visuais tradicionais, adaptando os elementos figurativos à modernidade". É mestre em educação artística pela University of Surrey Roehampton, Londres, co-fundador da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e da Escola Média de Artes Plásticas de Luanda, na qual foi professor e director.

Já participou em dezenas de exposições individuais e colectivas em diversos países e ganhou vários prémios. Enquanto isso, o estilo acrílico sobre tela esteve em destaque na exposição "Kukina ­ Ligações", de Lino Damião, que repassou para as telas os laços culturais entre Angola e Portugal, sobretudo nos capítulos da dança e da música. A exposição "Kukina", que em língua nacional kimbundo significa "Dança", reflecte o saber e a experiência ganhas por Lino Damião em Portugal, onde criou uma residência artística em 2009.

Acrescentou que a mostra, exposta em Dezembro passado na Galeria Soso - Globo, em Luanda, constituiu uma oportunidade destinada a "criar uma nova ponte artística e cultural entre Angola e Portugal". Lino Damião, que nasceu em Luanda em 1977, começou a desenhar e a pintar muito cedo, tendo recebido o seu primeiro prémio de pintura em 1989, atribuído pela UNAP. Participou em várias exposições individuais e colectivas, como em "1ª Paragem: Lisboa", na Feira de Arte Contemporânea de Lisboa, na I Trienal de Luanda e em Cabo Verde.

As suas obras fazem parte de colecções em África, Europa, Ásia, América do Sul e Estados Unidos da América. Actualmente trabalha em pintura, serigrafia mas também fotografia (ramo profissional do pai). Tendo em conta o facto de ser filho de Paulino Damião, que utiliza o pseudónimo de "Cinquenta", Lino é alegremente tratado pelos mais íntimos por "Vinte Cinco". Mais recentemente, entre os meses de Janeiro e Fevereiro, a exposição "Agenda Angola" mostrou a pujança artística angolana no Museu Pigorini, em Roma, organizada pela Embaixada em Itália no âmbito da "Internacionalização da Cultura e Arte Angolana".

Foi inaugurada pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, sendo constituída pelas mostras "Angola em Movimento", do acervo da Empresa de Seguros de Angola (ENSA), e "Luanda, Cidade Enciclopédica", de Edson Chagas. O embaixador de Angola em Itália, Florêncio de Almeida, afirmou que a exposição teve o objectivo de "inscrever Angola no universo da globalização". Por seu lado, a ministra Rosa Cruz e Silva sublinhou que a exposição procurou "divulgar as novas dinâmicas das artes nacionais", no quadro do "vasto programa de internacionalização da cultura angolana". A ENSA esteve representada pelo seu PCA, Manuel Gonçalves, que se manifestou disposto a continuar a apoiar a arte e os artistas angolanos.

A ENSA participou na exposição com obras de arte moderna e contemporânea de 21 artistas angolanos de diferentes gerações. Entretanto, também nos meses de Janeiro e Fevereiro, Ana Silva expôs a mostra de pintura sob o título "Frágil", com 15 quadros em técnica mista, entre as quais acrílico sobre tela, expostos no Centro Cultural Português, em Luanda. Ana Silva "faz uma abordagem sobre a fragilidade que caracteriza a dimensão humana, sempre exposta às maiores vicissitudes e intempéries".

Segundo uma nota de imprensa do CCP, "Ana Silva inspira-se nas transfigurações dessa fragilidade, ao nível dos contextos sociais, das relações humanas e dos sentimentos. A artista expressa uma linguagem poética, com recurso a transparências e outros materiais, como rendas e papel". Após Luanda, a exposição deverá ser exibida em Lisboa, onde Ana Silva vive há dez anos e fez formação na Escola de Arte Independente. Ela reparte a sua actividade entre Angola e Portugal, onde nos dois países já efectuou e co-participou em cerca de uma dezena de exposições, além do seu "hobbie" de design de moda.

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