Nuvens com abertas

Segunda | 18 Junho

24C

27

22

Descubra o País < voltar

Entre dunas, planícies e o mar

A peculiar beleza do deserto do Namibe

10/08/2012 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Julho/Agosto2012)

© KODILU photography - Angola Image Bank | www.angolaimagebank.com | Welwitschia Mirabilis

A viagem por terra entre Tombwa e Iona (ou Yona) é para quem gosta de safaris em terras africanas, neste caso no deserto do Namibe, em Angola.

Num percurso de mais de 8 horas, o viajante atravessa ecossistemas distintos por entre longo areal, em espectacular cenário de montanhas à distância, onde despontam a célebre Welwitschia Mirabilis, embondeiros anões e outros arbustos de rara beleza que conduzem ao Parque Nacional do Iona – área protegida de animais e vegetais entre o deserto do Namibe, o rio Cunene e o Oceano Atlântico, em plena terra do povo Himba.

Tudo começa no Tombwa, uma municipalidade à qual se chega por estrada asfaltada a partir da cidade do Namibe, no início de uma travessia pelo deserto, onde pelo caminho já se podem ver exemplares da formosa Welwitschia, cujo nome original é precisamente ‘Tombwa’ – planta capaz de suportar as altas temperaturas do deserto durante o dia, baixos termómetros à noite, com longevidade que pode ultrapassar os mil anos e que, por qualquer capricho da natureza, apenas existe neste deserto, não se dando em mais local algum do mundo conhecido.

Tombwa é terra de pescadores e de mar de muito peixe – considerada mesmo a região de Angola mais rica em pescado – onde a Austral foi gentilmente recebida pelo administrador municipal João Guerra. Antes da independência, em 1975, atendia pelo nome de Porto Alexandre, mas já se chamou Angra das Aldeias, quando o navegador português Diogo Cão, na sua segunda viagem pelo Atlântico atracou nesta terra no século XV.

Diz a História que Diogo Cão encontrou no local duas aldeias com população à beira-mar, vivendo do consumo de peixe, ostras e outros moluscos abundantes nas praias de Pinda, onde o navegador viria a implantar um padrão no chamado Cabo Negro. O nome Porto Alexandre proveio do explorador inglês Alexander, que também no século XV pisou esta terra, que passou depois a figurar nas cartas inglesas da época com a denominação de Port Alexander.

Os portugueses limitaram-se a fazer a correspondente inversão para a língua portuguesa. Por seu lado, os angolanos já senhores da terra mudaram o nome para Tombwa – designação autóctone da rara planta que mais tarde viria a chamar-se Welwitschia Mirabilis, em homenagem ao botânico austríaco Friedrich Welwitsch, que no século XIX se ocupou do seu estudo científico.

No trajecto Tombwa-Iona, uma dádiva da natureza: uma gigante Welwitchia Mirabilis, a maior do deserto e do mundo, é alvo de paragem obrigatória com as câmaras fotográficas e de filmar em acção. Segue-se a travessia do leito do rio Curoca, por esta altura totalmente seco uma vez que a água que o emoldura só raramente corre, dependente das poucas chuvas. 

Estamos em pleno deserto! Contudo, vai existindo alguma vegetação, alimentada por nascentes de água que também permitem a vida animal.

No acampamento da localidade de Espinheira, impalas descansam à sombra das árvores, sem se assustarem com a presença de humanos.

O ar é quente e quase não faz vento, a paisagem perde-se num horizonte de montanhas de todos os formatos, em cenário onde se destaca em grandeza o Morro de Chamalinde, capaz de inspirar qualquer artista plástico…

Comentários