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Imbondeiro

Museu da História Natural mostra as virtudes da árvore milenar

26/02/2014 | Fonte: © Nova Gazeta

© Nova Gazeta | Museu da História Natural mostra as virtudes da árvore milenária

É um símbolo de África, em especial, de Angola. É usado em rituais, na medicina, inspira poetas e cantores, protege mães e filhos e é uma árvore rica.

O imbondeiro é usado para quase tudo, por isso, o Museu de História Natural, em Luanda, mostra, numa exposição que decorre até Maio, as virtudes desta árvore que pode atingir os três mil anos de idade.

Rico tesouro
Do imbondeiro, além da múkua, aproveita-se a semente, flor, folha, casca, tronco e raiz. Ou seja, tudo. Segundo a bióloga Leonor Pedro, o imbondeiro é uma “planta completa”, em que tudo o que nela contém “é precioso”, mas “corre risco de extinção”. As áreas em que a árvore cresce estão a ser devastadas.
Na área do Mazozo, Icolo e Bengo, a população local faz do imbondeiro o sustento no dia-a-dia, nos rituais e em festas que envolvem crianças e adultos nas tarefas. A árvore tem relevância na agricultura, cultura, rituais e medicina tradicional e científica, na alimentação e no ‘habitat’ dos animais.

Árvore “mwangolê”
É uma árvore que só existe no Sul de África nas zonas mais tropicais. Em Angola, nasce mais a oeste, nas províncias de Luanda, Kwanza-Norte, Kwanza- -Sul, Malange, Zaire, Benguela, Namibe, Cunene, Cabinda e Huíla.

O vocábulo ‘imbondeiro’ não é universal. Varia de área para área, conforme a língua. Em kikongo denomina-se por nkondo, em quimbundo, mbondo, em português imbondeiro ou embondeiro.

O nome científico foi atribuído pelo botânico Lineu em 1759 em homenagem ao botânico francês Michel Andansom (1727-1806) que forneceu a primeira descrição técnica e a ilustração da árvore.

O nome é originário do latim que significa ‘digital’ pelo formato da folha das árvores adultas, que se parecem com os cinco dedos de uma mão aberta. Na maior parte de África, é chamada árvore Baobab.

Um imbondeiro adulto pode viver até três mil anos e resiste a todos os climas. Do que se conhece, a planta mais durável é a ‘welwitschia mirabilis’ que vive no deserto do Namibe, logo seguida do imbondeiro. O imbondeiro tem um ciclo que começa em Outubro com a formação das flores e em Janeiro nasce o fruto que se desenvolve durante cerca de quatro meses.

Rituais e tradição

Está ligada a rituais tradicionais, muitas vezes a ritos e crenças religiosos. Nalgumas zonas, a sombra protege o acto da circuncisão e partos. Também é usada como sepulturas, porque muitos povos creditam que se um soba for sepultado aí pode voltar e dar ideias aos sucessores.

Há populações que a usam como um celeiro para guardar milho, bombom e outros mantimentos e também como reservatório de águas em tempo de seca. Em tempo chuvoso tem capacidade de absorção de água até 120 mil litros e pode resistir a grandes queimaduras. É comum adaptar-se mangueiras com torneiras para, no tempo seco, serem usados para puxar água. Muitas famílias preferem construir casas em locais onde haja imbondeiros de grande porte.

A múkua

A múkua usa-se no fabrico de refrigerantes e gelados. As sementes são utilizadas no tratamento e controlo do ‘stress’, problemas de tensão e para quem tem perturbações mentais. O pó da múkua é útil também para curar febres, diarreias, infecções urinárias e serve também de anti-inflamatório.

A farinha tem duas vezes mais cálcio que o leite, é rica em vitamina C, potássio e outras proteínas e vitaminas. A semente do fruto, posto em banho-maria, serve para fazer muamba que se parece com a farinha de abóbora (muteta) e pode ser preparada com peixe ou carne.

Um saco de cem quilogramas de múkua custa até mil kwanzas nos camponeses. No mercado informal, pode custar até sete mil kwanzas.

A casca

Foi na casca do imbondeiro que se conseguiu extrair, pela primeira vez, o quinino. A casca triturada contém fibras parecidas ao sisal e pode ser usada em artesanato. Em Angola, são usadas no carnaval e em rituais tradicionais.

Serve para fabricar tapetes, armadilhas para caça, cestos de pesca e de uso doméstico, esteiras, cordas, instrumentos musicais, chapéus, chinelas e linha para coser roupa. Também serve para fazer carvão. As cinzas são usadas como repelentes.

Na agricultura, o tronco da árvore, em estado de decomposição, cria insecto, o ‘Mahoho’, que serve para ração dos animais.

Mohoho
É o único insecto que faz a polinização da flor. É usado como alimento tal como o catato e pode ser comido tanto fresco como defumado.
Flores e folhas

As flores e folhas do imbondeiro servem para produzir xaropes e ‘shampoo’ anti-caspa e anti-alérgicos. Só abrem de noite e secam em 48 horas. Com o botão floral, as crianças podem fazer carrinhos de brinquedos.

Imbondeiro na literatura
O imbondeiro, ao longo dos tempos, tem inspirado poetas e escritores, músicos e compositores.

Eis alguns exemplos:  
- ‘À Sombra do Imbondeiro’ António Marcelo
- ‘Na Cidade dos Imbondeiros’ Maria Baptista
- ‘À Sombra do Imbondeiro’ Isabel Valadão
   Editora Novo Imbondeiro
   Poema: O imbondeiro de Baobá, de Namibiano Ferreira

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