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Libolo

Cheirinho a café no ar fresco das montanhas

01/04/2012 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Mar/Abr 2012)

Fotos

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Cheirinho a café no ar fresco das montanhas1 de 12

A estrada serpenteia por entre montanhas, o ar fresco ameniza o ambiente, com o café ainda verde em Janeiro destacando-se ao longo do percurso crescendo entre frondosas árvores, até se chegar à vila de Calulo, sede do município do Libolo, província do Kwanza-Sul, a 280 quilómetros de Luanda.

É uma vasta região montanhosa, onde o verde se estende a perder de vista, com o café e a palmeira como principais plantações e que há muito fazem a prosperidade deste município, mas onde também se cultivam outros produtos agrícolas que alimentam a sua população, como o milho, o amendoim e a mandioca.

As grandes formações rochosas embelezadas pelo verde da vegetação dão um requinte turístico à região – um espectáculo paisagístico montanhoso que se estende desde a comuna da Cabuta até às margens do rio Kwanza. É um magnífico roteiro turístico que depois toma sentido descendente, em direcção à Baixa do Kwanza, por estrada sinuosa entre frondosas plantações antes de se chegar aos vertiginosos rápidos do Kwanza, o maior rio de Angola, cujas águas passam pela primeira ponte de pedra construída pelos portugueses, a velhinha ponte Filomeno da Câmara.

A beleza natural tem sido aproveitada pelo homem em prol do turismo, o que acontece em algumas fazendas de café que possuem áreas vocacionadas para o turismo rural, com alojamentos e serviço hoteleiro à altura das encomendas. É o se passa com a Fazenda Cabuta, com 2 702 hectares, onde os seus cerca de 450 trabalhadores além de colherem os bagos de café, também se ocupam do seu processamento e empacotamento. São lá produzidas cerca de 100 toneladas de café “de grande qualidade” por ano, prontas a ser comercializadas e consumidas.

Outras fazendas também aliam a produção de café e de palmar (que alimenta a fabricação de óleo de palma) à criação de gado bovino, havendo já o registo de cerca de 5 mil animais pastando na região, distribuídos pelas fazendas Cassaia, Boa Vista, Belo Horizonte e também na Cabuta. É o gado a dar mais vida ainda ao município do Libolo, região agrícola por excelência, com uma população de cerca de 87 mil habitantes, maioritariamente agricultores, que habitam uma área de 9 mil quilómetros quadrados, distribuídos por quatro comunas: Calulo, Munenga, Cabuta e Quissongo. Importa realçar que as fazendas de café foram instaladas na região durante o período da colonização portuguesa, apesar da forte resistência dos naturais à ocupação das suas terras.

A fortaleza construída pelos portugueses no século XIX – hoje convertida em monumento e ponto de atracção turística – atesta a enorme resistência à colonização, que teve no soba Cúria Matoji (“comedor de umbigos”, em português) um dos maiores símbolos de luta, entrincheirado no alto das montanhas. De facto, a História do Libolo é rica em testemunhos de resistência à ocupação portuguesa, como a que se verificou quando os colonos, na sua azáfama de conquista do território, começaram a construir a primeira congregação religiosa no local, a do Espírito Santo (Espiritana), em 1893. A resistência estendeu-se até ao século XX, quando eclodiram as célebres “Guerras do Libolo”, que duraram quase 20 anos, entre 1902 a 1920, com as forças de ocupação colonial a sofrerem várias derrotas. A denominada “Pedra Escrita”, localizada onde terão ocorrido os últimos confrontos, tem a seguinte inscrição: “1917 Homenagem aos combatentes da revolta do Libolo”.

Embora os portugueses se tenham estabelecido no local em 1890, construído a congregação do Espírito Santo três anos depois, a definitiva implantação da administração colonial só ocorreu em 1932. Na sua “missão de espalhar a civilização e divulgar a fé cristã”, tendo como verdadeiro objectivo a colonização, os portugueses construíram também o (ainda existente) Santuário de Nossa Senhora de Fátima em 1968, com uma imagem da Santa Benzida a fazer as honras daquela instituição religiosa.

Segundo dados históricos, a palavra Libolo deriva do nome de um sobrinho do rei N’Gola Kiluanje, de nome Kibeca Kieta, que teria sido indigitado pelo rei para governar todas as terras a sul do rio Kwanza, tendo o potentado lhe atribuído o título de Kabungo Mwá Lubolo, o que deu origem ao nome do município. Calulo, que ascendeu à categoria de vila em Janeiro de 1900, é a sede do município do Libolo, região essencialmente agrícola, mas também excelente destino turístico.

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