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Porto Amboim

Viagem à terra dos Mupindas

04/01/2011 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Janeiro/Fevereiro 2011)

Fotos

Foto: www.banda.sapo.ao

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  • Viagem à terra dos Mupindas - Foto: Carlos Lousada
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  • Viagem à terra dos Mupindas - Foto: Carlos Lousada

Viagem à terra dos Mupindas - Foto: Carlos Lousada1 de 12

Para trás haviam ficado 252 quilómetros de estrada desde a partida de Luanda, quando a viatura penetrou em Porto Amboim – terra dos Mupindas, os habitantes desta centenária cidade confinada entre-os-rios Longa e Keve, mas também banhada por um imenso mar azul.

Paixão à primeira vista é o que proporciona o espectáculo da grande extensão de praias de areia branca e águas límpidas da cidade de Porto Amboim, que convidam de imediato a um mergulho, tendo ao longe como cenário o morro do Kissonde, que limita a baía com o mesmo nome.

Aliás, Kissonde era o nome original de Porto Amboim quando, no longínquo ano de 1587, chegaram àquele local, na altura uma pequena aldeia, os navegadores portugueses Paulo Dias de Novais e o seu sobrinho António Lopes Peixoto. Um monumento posteriormente erguido no bairro N’Gola Mussungo, onde também está situada a residência do soba (chefe tradicional) local, testemunha a chegada dos portugueses nas suas caravelas.

Nessa aldeia de Kissonde, os portugueses tencionavam fundar uma povoação com o nome de Benguela, a começar pela construção de um fortim de madeira, sob as ordens de António Lopes Peixoto. Mas os colonos acabaram por abandonar o local, dirigiram-se mais para sul e fundaram Benguela onde hoje se situa a cidade com o mesmo nome.

Dizem os registos históricos que os portugueses regressaram à aldeia de Kissonde e, em 1617, o então governador-geral de Angola, Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, decidiu dar o nome de ‘Benguela Velha’ ao povoado, que é hoje a actual cidade de Porto Amboim.

Mas Porto Amboim só viria a ganhar estatuto de cidade no século XX, no ano de 1974, pois na qualidade de feitoria e presídio, a então ‘Benguela Velha’ não passava de um pequeno aglomerado de casas de madeira, onde se supunha existir ricas minas de cobre.

Desfeito o equívoco, pois jamais foram descobertas as supostas minas, o principal negócio passou a ser o comércio de escravos, que eram embarcados para o Brasil a partir da Foz do rio Keve. Ainda hoje se podem contemplar os vestígios de uma feitoria, com o seu baluarte e cisternas de armazenamento de água potável, onde eram concentrados os escravos antes de serem embarcados a partir da aldeia de Ngola Mussungo, depois conhecida como Praia das Ostras.

Após a criação do Caminho-de-ferro do Amboim, a 3 de Setembro de 1923, ‘Benguela Velha’ viria a adquirir o definitivo nome de Porto Amboim, com o estatuto de vila (somente seria elevada à categoria de cidade um ano antes da Independência, em 1974). O comboio, movido a lenha, começou por rolar num troço de 80 quilómetros, até à localidade de Boa Viagem, tendo posteriormente estendido o seu raio de acção por mais 43 quilómetros acima até Gabela, no ano de 1941.

No ano de 1925 foi construída a primeira residência do administrador e a ponte-cais de Porto Amboim, através da qual viriam a ser escoados os produtos agrícolas do interior, sobretudo o café – riqueza de então da vizinha localidade da Gabela – para os barcos ao largo da costa.

CHEIRINHO A CAFÉ

De facto, a região já foi privilegiada na plantação e no sentir do agradável cheirinho a café. É internacionalmente conhecida, aliás, a espécie ‘Café Amboim’, a partir do qual se cogita agora a produção do especial ‘Café Gourmet’. Mas Porto Amboim voltará a ostentar a atracção dos seus viveiros de
café, com a plantação de cinco milhões e quinhentas mil novos pés da planta, o que será um motor de desenvolvimento no geral e do turismo em particular.

Mas motor de desenvolvimento será também a evolução da actual ponte-cais para um verdadeiro porto comercial, em cujos trabalhos já estão envolvidos mais de um milhar de técnicos e operários nacionais e estrangeiros. Por ora, já foi inaugurado um estaleiro naval de apoio à indústria de petróleo
e gás com um cais de 250 metros da empresa marítima holandesa Heerema, com dois guindastes de 300 toneladas, duas balsas de transporte e um rebocador, o que certamente contribuirá para o crescimento da terra dos Mupindas.

Para alojamento dessa nova força de trabalho, estão a ser construídos condomínios e perspectiva-se a edificação de novas unidades hoteleiras, também no quadro de uma visão turística de desenvolvimento.

Atracções turísticas não faltam em Porto Amboim, com locais de sonho como a célebre Praia das Ostras, em cujas águas límpidas os pescadores mergulham na tarefa de apanha dos saborosos crustáceos, para depois os oferecerem à compra dos visitantes. A falésia que envolve esta praia deverá ser transformada em luxuoso Resort, enquanto que as praias da Buamba, Marginal e outras, numa extensão de 80 quilómetros, conformam os locais ideais para os turistas praticarem surf, vela, pesca, mergulho e natação.

Em terra firme, não faltam condições para a disputa de provas de automobilismo, motocross, karting e rally, como aconteceu no ano passado nas comemorações do 423º aniversário de Porto Amboim, nas quais participaram pilotos angolanos e estrangeiros que atraíram centenas de visitantes.

IMPORTANTE CIDADE

Actualmente, Porto Amboim é habitada por cerca de 137 mil pessoas, sendo a segunda cidade em importância da província do Kuanza-Sul, a seguir à sua capital – Sumbe. A principal ocupação dos seus habitantes é a pesca, que já ocupou o terceiro lugar em capturas a nível nacional. Mas a população também não tem mãos a medir em matéria de agricultura, dedicando-se sobretudo ao cultivo de milho, batata-doce, palmar, algodão, frutos e outros produtos agrícolas para consumo.

A terra dos Mupindas é de grande abundância de gado, particularmente bovino, estando em quinto lugar em número de cabeças em todo o país, com 60 mil recenseadas. Por esse motivo, é preciso observar algum cuidado quando se desloca da capital angolana para Porto Amboim por estrada, que também é habitualmente cruzada por animais.

Ao deixar Luanda por via terrestre com destino a Porto Amboim, qualquer viajante arregalará os olhos perante as várias atracções paisagísticas. Percorridos os primeiros 60 quilómetros de via rápida, chega-se ao bairro Benfica, rapidamente se sobe o Morro dos Veados e se cruza pelo novo campo de golfe, com a Ilha do Mussulo no horizonte visual.

A localidade de Ramiros e o Saco dos Flamingos parecem marcar o fim da grande Luanda. O Miradouro da Lua, com a sua paisagem “quase lunar”, fica para trás na estrada e a Barra do Kwanza aproxima-se rapidamente, chegando-se à portagem do maior rio de Angola, que se vê correndo com pujança sob a ponte que dá acesso ao Parque Nacional da Kissama – a reserva natural onde se pode conviver com os animais selvagens no seu pleno habitat.

Mais próximo da costa, segue-se no trajecto um rol de praias que os luandenses amantes dos banhos de mar, da pesca e dos desportos náuticos elegem para os folguedos de fim-desemana: Praia de Cabo Ledo, Praia do Sangano, Praia do Sobe e Desce, Praia de S. Brás… Por fim, surge a ponte do rio Longa– a porta de entrada para o município do Porto Amboím, já na Província do Kwanza-Sul. A terra dos Mupindas!

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