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Referências históricas

Cunene

04/07/2011 | Fonte: © Austral, Revista de Bordo da TAAG (Julho/Agosto 2011)

Fotos: Carlos Lousada

Em memória do rei, foi erguida em 2002 uma das principais atracções da província – o Complexo Memorial do Rei Mandume, construído onde está sepultado, na localidade de Oihole (município de Namacunde), onde foi travada, e perdida, a derradeira batalha contra os portugueses.

O Memorial possui sala de conferência com capacidade para 300 pessoas, restaurante e 10 bangalôs para 20 pessoas, WC privativos, ar condicionado, TV por satélite e água. Estão disponíveis jangadas para passeios dos visitantes pelas águas do rio.

Este Memorial tornou-se ponto de peregrinação para os Ovambos, tanto do lado de Angola como da Namíbia, que para aí convergem para render homenagem a Mandume.

Num monumento, três folhas de Omufiati, a planta sagrada dos Kwanyamas, representam os companheiros do rei tombados na batalha de Oihole.

Mas na província existe ainda o Monumento do Mufilo, a sul de Xangongo, que constitui um marco dos grandes combates do rei Mandume, auxiliado pelo rei Tchetekela do Cuamato, contra os portugueses no século XIX. Local sagrado, está situado em Ombala Grande, que foi o centro político dos Kwanyamas, onde estão sepultados os onze reis anteriores a Mandume.

O Cunene acolhe ainda outros monumentos do passado colonial, como o Forte Roçadas, que serviu de base militar portuguesa para ocupação das áreas do sul do Xangongo, o Monumento Vau-do-Pembe, em memória dos colonizadores mortos quando da travessia do rio Cunene, fustigados pelos combatentes autóctones. São pontos históricos de grande significado, que constituem “uma verdadeira viagem ao passado”. Brevemente, a principal praça de Ondjiva, capital da província do Cunene, será dotada de importante símbolo: uma estátua com cinco metros de altura e quatro de largura do rei Mandume, montado no seu cavalo branco, empunhando a sua inseparável espingarda e acompanhado do cão, o seu fiel companheiro. Será um tributo aos seus feitos heróicos, entre os quais a preservação do seu espaço territorial até ao ano de 1915, que foi o último a sofrer a penetração colonial portuguesa.

Diz-se por estas paragens que a palavra ‘Kwanyama’ significa “terra de carne” e a explicação remonta ao tempo das migrações. Reza a lenda que um chefe deste povo enviou um grupo de homens em missão exploratória além do horizonte, grupo esse que tardava em regressar ao ponto de partida. Por esse motivo, foi enviado um outro grupo em missão de busca do primeiro. Quando o segundo grupo o encontrou, os integrantes do primeiro gritaram em uníssono: “akwa nyama!” (terra de carne), referindo-se à quantidade de gado encontrado na área, onde todos acabaram por se estabelecer e converter em criadores de bovinos.

A província do Cunene, com uma superfície de 87.342km2, possui seis municípios: Cahama, Curoca, Cuvelai, Kwa nya ma, Namacunde e Ombanja, albergando uma população que se aproxima dos 300 mil habitantes. A sua capital, On giva, que já se chamou N’giva após a independência de An gola, mas também Pereira d’Eça, durante a colonização portuguesa, está situada no município do Kwanyama, a terra do “lendário” rei Mandume.

Cunene é um vasto espaço territorial dotado de exóticos atractivos naturais, como o Parque Nacional da Mupa, com animais como elefantes, girafas, hipopótamos, zebras da planície, palancas vermelhas, impalas, hienas malhadas, leões, avestruzes e mabecos, entre outros. Situado a nordeste da província, com uma área de 660 mil hectares, já foi considerado reserva de caça em 1938, mas agora está destinado à preservação das espécies.

De clima tropical semi-árido, não sendo rica do ponto de vista florestal (“a maior parte do território é preenchido com bosque seco ou com um mosaico de bosque seco e savana”), alberga no entanto na região do Péu-Péu, município de Ombandja, o “maior embondeiro de África” – árvore símbolo
de Angola também conhecida como baobá.

A província é favorável à prática do ecoturismo e do turismo de aventura, com as quedas de água do Ruacaná, na fronteira com a Namíbia, abertas à possibilidade do desporto aquático, além de proporcionarem uma fascinante paisagem, num espectáculo à dimensão da natureza em toda sua plenitude. Mas existem também as impressionantes Quedas do Monte Negro (Epupa), na região do Kuroca, muito perto também da fronteira com a Namíbia.


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